Falemos agora sobre os três momentos que abrangeram preocupações teóricas bastante diversas no campo da lingüística de texto.
Análise transfrástica;
Na análise transfrástica: o interesse voltava-se para fenômenos que não conseguiam ser explicados pelas teorias sintáticas e/ou pelas teorias semânticas que ficassem limitadas no nível da frase; Construção de gramáticas textuais: descrição da competência textual do falante; Teoria do texto: o texto passa a ser estudado dentro de seu contexto de produção e a ser compreendido não como um produto acabado, mas como um processo.
Gramáticas textuais :
Gramáticas textuais Representaram um projeto de reconstrução do texto como um sistema uniforme, estável e abstrato. Postulava-se o texto como unidade teórica formalmente construída, em oposição ao discurso, unidade funcional, comunicativa e intersubjetivamente construída. As propostas de elaboração de gramáticas textuais de diferentes autores, tais como Lang, Dressler, Dijk e Petöfi surgiram com a finalidade de refletir sobre fenômenos linguísticos inexplicáveis por meio de uma gramática do enunciado. Esses autores consideram que: não há uma continuidade entre frase e texto porque há, entre eles, uma diferença de ordem qualitativa e não quantitativa, já que a significação de um texto constitui um todo que é diferente da soma das partes. O texto é a unidade linguística mais elevada, a partir da qual seria possível chegar, por meio da segmentação, a unidades menores a serem classificadas. Todo falante nativo possui um conhecimento acerca do que seja um texto.
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Segundo Charolles (1989), todo falante possuiria três capacidades textuais básicas: capacidade formativa; capacidade transformativa; capacidade qualificativa Segundo Fávero & Koch (1983), se todos os usuários da língua possuem essas habilidades, que podem ser nomeadas genericamente como competência textual, poderia justificar-se, então, a elaboração de uma gramática textual. Verificação do que faz com que um texto seja um texto; Levantamento de critérios para a delimitação de textos; Diferenciação de várias espécies de textos.
Teoria do Texto Ao contrário das gramáticas textuais, preocupadas em descrever a competência textual de falantes/ouvintes idealizados, propõe-se a investigar a constituição, o funcionamento, a produção e a compreensão dos textos em uso. Tratamento dos textos no seu contexto pragmático No final da década de 70, a palavra de ordem não era mais, segundo Marcuschi (1998), a gramática de texto, mas a noção de textualidade. LT (atualmente): “uma disciplina de caráter multidisciplinar, dinâmica, funcional e processual, considerando a língua como não-autônoma nem sob seu aspecto formal” (Marcuschi, 1998)
A construção dos sentidos no texto :
A construção dos sentidos no texto Texto: resultado de uma atividade verbal, que revela determinadas operações linguísticas e cognitivas, efetuadas tanto no campo de sua produção, como no de sua recepção. Segundo Koch (1997): Coerência: “diz respeito ao modo como os elementos subjacentes à superfície textual vêm a constituir, na mente dos interlocutores, uma configuração veiculadora de sentidos” Coesão: “O fenômeno que diz respeito ao modo como os elementos linguísticos presentes na superfície textual encontram-se interligados, por meio de recursos também linguísticos, formando sequências veiculadoras de sentido”
A coerência textual :
A coerência textual A discussão sobre as relações entre texto e coerência começa a ocorrer a partir do momento em que se percebe que o(s) sentido(s) do texto não está/estão no texto em si, mas depende(m) de fatores de diversas ordens: linguísticos, cognitivos, socioculturais, interacionais. Os estudos sobre o texto centram-se na busca de “critérios de textualidade”. Para Koch e Travaglia (1989), “a textualidade ou a textura é aquilo que faz de uma sequência lingüística um texto e não um amontoado aleatório de palavras”. Existe o não-texto? Charolles (1989) afirma que não há textos incoerentes em si. Tudo vai depender muito dos usuários do texto e da situação. A partir da década de 80, Charolles defende que a coerência de um texto é um “principio de interpretabilidade”: todos os textos seriam, em princípio, aceitáveis. No entanto, admite-se que o texto será incoerente para determinada situação comunicativa.
Segundo Koch e Travaglia (1990), a situação comunicativa tanto pode ser entendida em seu sentido estrito – contexto imediato da interação-, como pode ser entendida em seu sentido mais amplo – o contexto sócio-político-cultural. O conhecimento da situação comunicativa mais ampla contribui para a focalização, que pode ser entendida como a(s) perspectiva(s) ou ponto(s) de vista pelo(s) qual(is) as entidades evocadas no texto passam a ser vistas, perspectivas estas que afetam não só aquilo que o produtor diz, mas também o que o leitor ou destinatário interpreta. A situação comunicativa pode contribuir fortemente para a construção de um ou mais de um sentido global para o texto.
O papel das inferências na compreensão global do texto: Segundo Koch & Travaglia, “quase todos os textos que lemos ou ouvimos exigem que façamos uma série de inferências para podermos compreendê-lo integralmente. Se assim não fosse, nossos textos teriam que ser excessivamente longos para poderem explicitar tudo o que queremos comunicar.” Intertextualidade: outro fator importante para a compreensão do sentido global de um texto. Intencionalidade: “refere-se ao modo como os emissores usam textos para perseguir e realizar suas intenções, produzindo, para tanto, textos adequados à obtenção dos efeitos desejados” (Koch &Travaglia, 1990) Fator informatividade: diz respeito ao grau de previsibilidade das informações que estarão presentes no texto, se essas são esperadas ou não, se são previsíveis ou não.
sexta-feira, 14 de maio de 2010
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Gostei de ver. Apesar de alguns problemas de ordem textual, conseguiram dá conta do discutido pela autora. Bom trabalho!!!
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