quarta-feira, 4 de agosto de 2010

A dimensão da textualidade como apresentação de compreensão do fenômeno lingüístico.

O último seminário a ser apresentado atrata do que se segue:

A dimensão da textualidade como apresentação de compreensão do fenômeno lingüístico.
No dia 02 de agosto o grupo de Kaliane, Mércia e Auriclécia apresentaram o seminário que trata da textualidade, cujo conceito mostra tratar-se da condição que tem as línguas de somente ocorrerem sob a forma de texto e as propriedades que um conjunto de palavras deve apresentar para poder funcionar comunicativamente. Na dimensão da textualidade como funcionamento para o ensino de línguas vimos que: a textualidade ganhou impulso com a divulgação de uma proposta: a de que o estudo das línguas recobrirá mais consistência e mais relevância se eleger como ponto de referência , o texto; pois o mesmo envolve relações de recursos de estratégias, de operações, de pressupostos que promovem a sua construção e sequência, que possibilitam seu desenvolvimento temático , relevância informativo-contextual, sua coesão e sua coerência.

A HORA DA ESTRELA

ENREDO
A história gira em torno de uma nordestina que não tem nem idéia de sua própria existência. Vem do sertão de Alagoas para o Rio de Janeiro para trabalhar como datilógrafa. Começa um namoro com um conterrâneo que é interrompido pela ganância do mesmo.
TEMPO
Não há como ser preciso neste item,porem a narração ocorre a poucos dias no mês de maio,entre lembranças de macabéa
CLIMAX E NARRADOR
O começo do namoro com olímpico trocando-a pela sua colega de trabalho, Gloria, que arrependida lhe indica a madama Carlota, uma cartomante.madama Carlota lhe prevê um futuro só que mal interpretado. Contente com o maravilhoso destino previsto por madama Carlota, macabéa sai destruída é atropelada, agoniza e morre no meio da sarjeta.
Narrador
É um narrador onisciente.Rodrigo R.M. que não chega a participar ativamente da narração.
SÍNTESE
Macabéa, uma nordestina, luta para sobreviver no Rio de Janeiro, trabalhando como uma datilografa.divide um lugar quase subumano juntamente com mais quatro amigas. Em um dia que falta o trabalho, ela encontra Olímpico que a convida para um passeio sobe uma intensa chuva. Daí por diante ela o toma como seu primeiro namorado. Apesar de parecer estar com sorte por ter arranjado um namorado, ela é traída pela Glória, uma amiga de trabalho. Essa amiga com remorso indica a ela, uma cartomante para que lhe adivinhasse o futuro,futuro esse que como Madama Carlota, a cartomante, lhe disse,mudaria sua vida no momento que saísse da casa da Madama, com muito dinheiro, casamento com um estrangeiro,luxo e amor.E quando ela foi finalmente embora tudo realmente mudou. Atordoada com tanta felicidade e espantada com a miserável vida que levava, ficou indecisa com um ato tão banal de atravessar uma rua que quando se decidiu foi atropelada por uma Mercedes. Morre aí Macabéa na sarjeta.

Disponívelhttp://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&source=hp&q=sintese+da+obra+a+hora+da+estrela&aq=f&aqi=g10&aql=&oq=&gs_rfai= Acesso em: 30 de jul.2010 ás 19h30min

No romance "A Hora da Estrela" temos o momento da morte de Macabéa como um dos mais importantes da história, pois a hora da sua morte é o instante em que ela se encontra consigo mesma; isso porque em muitos momentos da narrativa ela não tinha consciência nem da sua própria existência e por isso não tinha sonhos nem objetivos. Sua única fantasia era ser estrela de cinema e sua paixão era comer goiabada com queijo. Assim percebemos o quanto que macabéa era simples, que por conta da sua imagem de nordestina desinformada e por está numa cidade grande, sendo uma moça feia e de origem pobre, com maus hábitos de higiene, ela era vista com um certo desprezo e somente no momento da sua morte é que ela conseguiu ser estrela, pois é nesse momento que ela passa a ser percebida por todos.

REPENSANDO A TEXTUALIDADE

O texto “Repensando a textualidade” de Maria da Graça Costa Val, contido no Livro Língua portuguesa em debate: conhecimento e ensino; organizado por José Carlos de Azeredo, aborda alguns dos elementos que fazem parte da história da Linguística Textual, a qual tem se dedicado a estudar a constituição do texto, bem como os fatores que norteiam a sua produção e recepção. Surge a necessidade de se repensar o conceito de textualidade, sobretudo com as contribuições oferecidas pela Análise do discurso, pelas teorias da enunciação, pela Pragmática, pela Análise da Conversação, dentre outros.
Costa e Val citando Maria-Elisabeth Conte, mostra que no desenvolvimento da Linguística Textual destacou-se três ‘momentos tipológicos’. No primeiro, a análise ‘transfrástica’, a atenção se dava às relações entre os enunciados. Passou-se a analisar segundo a autora fenômenos como a correferência, o emprego do artigo, a correlação entre tempos e modos verbais, que hoje identificamos como atinentes à coesão textual. No segundo momento o interesse se voltava para a construção de gramáticas do texto. Neste, o texto passa a ser visto mais do que uma sequência de frases e seu significado dá-se a partir do todo que o compõe. O conceito chomskyano de competência lingüística é ampliado para o de competência textual. No terceiro momento tipológico da Linguística Textual, passou-se a construir teorias do texto, nas quais ganha destaque os aspectos pragmáticos. Assim não mais se buscaria explicar a competência lingüística, nem a competência textual, e sim, a competência comunicativa, referente à capacidade de se participar com eficiência e eficácia das situações sociais de comunicação.
Segundo Costa Val, surgem alguns conceitos de texto como o de Halliday & Hasan (1976): ‘é uma unidade de língua em uso’ (p.1), a textura que equivale à textualidade define-se como uma propriedade que faz com que o texto funcione ‘como uma unidade em relação a seu contexto’ (p.2).
São Beaugrande & Dressler (1981), segundo Costa Val, que postulam os sete princípios que constituem a textualidade, criando a comunicação social. São eles: coesão, coerência, intencionalidade, aceitabilidade, informatividade, situacionalidade e intertextualidade; além dos três princípios que regulam e controlam a comunicação textual – eficiência, eficácia e adequação.
Conforme Costa Val os sete padrões de textualidade são entendidos pelos autores como princípios constitutivos da comunicação textual que funcionam integralmente com três princípios reguladores – a eficiência, a eficácia e a adequação –, cujo papel seria viabilizar o monitoramento do processo comunicativo pelos participantes. A eficiência de um texto diz respeito à sua capacidade de comunicar com o mínimo de esforço tanto do produtor quanto do receptor; a eficiência (eficácia na verdade) está ligada a sua capacidade de ‘impressionar’ o recebedor; a adequação tem a ver com a pertinência e relevância do arranjo que constitui sua textualidade com relação ao contexto em que ele ocorre (p. 41).
Para Beaugrande (1980), citado em Beaugrande & Dressler (1981: 35), conforme Costa Val, o texto é um conjunto de elementos funcionais juntos. Produzir e interpretar textos seriam processos para se resolver problemas em que os princípios reguladores teriam a função de contribuir para o inter-relacionamento dos sete princípios que constituem a textualidade.
No tocante ao artigo de Charolles (1978), Introduction aux problèmes de la coherence des textes, este aborda as regras ou as ‘meta-regras’ que constituem a coerência, que para Charolles (1978), segundo Costa Val, não se distingue de coesão. Para Charolles (1978) a coerência e o sentido do texto dependem da situação, o texto não é coerente e nem deixa de ser em si mesmo, é a situação que o determinará como coerente ou não para alguém.
Na primeira meta-regra, chamada de meta-regra de repetição, para que um texto seja coerente, é preciso que contenha, em seu desenvolvimento linear, elementos e recorrência estrita; na qual se continua falando de algo que já foi dito anteriormente, explícita ou implícita, em um determinado texto. A segunda meta-regra diz respeito à progressão, na qual para que um texto seja coerente é preciso que em seu desenvolvimento haja uma contribuição semântica que se renove constantemente. Segundo Costa Val, a intuição textual dos falantes explica esse requisito de coerência com expressões como ‘ir para frente’, ‘não ficar amassando barro’, etc. Na terceira mete-regra que se refere à não-contradição, para que haja coerência em um texto, é preciso que no seu desenvolvimento não se introduza nenhum elemento semântico que venha a contradizer algo posto por uma ocorrência anterior, ou deduzível destea por inferência. Essa meta-regra permite que um texto não se contradiga negando o que afirmou ou afirmando o que negou. Se por exemplo um determinado texto explicita que a fórmula da água é H2O, não poderá na sequência do texto expor que a fórmula é CO2. A quarta e última meta-regra é a que Charolles (1978) chama de relação. Nesta, para que uma sequência ou um texto sejam coerentes, é necessário que os fatos que denotam no mundo representado estejam diretamente relacionados.
Para Costa Val,
As meta-regras se mostram úteis em sala de aula porque ‘destrinçam’ de que se constitui a coerência, possibilitando ao professor orientações e avaliações mais objetivas, menos dependentes de gosto ou crença pessoal, no trabalho com textos (p. 46).
O trabalho de Charolles é apresentado como enfatizador da realidade entre as meta-ragras, não deixando escapar que a coerência não está no texto enquanto produto, mas, antes, é um processo resultante da interlocução. Beaugrande (1997) rejeita a idéia de se ver o texto como produto ou artefato, para ele segundo Costa Val, a textualidade é um processo de textualização. Sobre a distinção entre texto e não-texto, Beaugrande (1997) citado por Costa Val diz:
Desde o aparecimento, em 1981, da obra Introduction de Text Linguistics, que usou os sete princípios de textualidade como base, nós necessitamos enfatizar que eles designam as mais importantes formas de conectividade e não (como alguns estudos assumem) os fatores lingüísticos do texto-artefato, nem as fronteiras entre ‘textos’ e ‘não-textos’. Os princípios aplicam-se onde quer que um artefato seja textualizado, mesmo que alguém julgue o resultado ‘incoerente’, ‘sem propósito’, ‘inaceitável’ etc. Tais julgamentos indicam que o texto pode não ser apropriado (adequado para a ocasião), ou eficiente (fácil de manusear), ou eficaz (proveitoso para o objetivo ou intenção); mesmo assim é um texto. Em geral, as perturbações e irregularidades são desconsideradas, ou entendidas como sinais de espontaneidade, estresse, sobrecarga, ignorância, e não como perda ou negação da textualidade (p. 15).
Conforme Cota Val sempre que alguém interpretar um artefato como texto é porque este possui os princípios de textualização, como coesão, coerência e tudo mais.
Para finalizar o texto Costa Val destaca que a posição que assume no tocante a textualidade pode deixar os professores perplexos, já que tudo passa a ser texto, que ‘não se pode dizer que um texto não tem coerência ou não tem coesão’, fazendo assim com que tudo que os alunos escrevam esteja bom. Ainda segundo a autora um trabalho de ensino orientado pelos princípios expostos poderá contribuir, efetivamente, para a formação de escritores e leitores habilitados para uma convivência social.

AZEREDO, José Carlos (org.). Repensando a textualidade. In: Língua portuguesa em debate: conhecimento e ensino. 4. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2007, p. 34-51.

A Hora da Estrela

O romance A Hora da Estrela, de Clarice Lispector, o qual tem Rodrigo S.M, como narrador onisciente, conta a história da nordestina Macabéa, personagem protagonista; uma mulher miserável que mal tem consciência da sua própria existência. Macabéa após a morte da sua tia viaja para o Rio de Janeiro, onde começa a trabalhar como datilógrafa e também passa a dividir o quarto com mais quatro colegas. A personagem apresenta-se como uma mulher feia e com maus hábitos de higiene, a quem qualquer um desprezaria:
“Depois – ignora-se porquê – tinham vindo para o Rio, o inacreditável Rio de Janeiro, a tia lhe arranjara emprego, finalmente morrera e ela, agora sozinha, morava numa vaga de quarto compartilhado com mais quatro moças balconistas das Lojas Americanas”.(Lispector,Clarice,1998,p.30). “O quarto ficava num velho sobrado colonial da áspera rua do Acre entre as prostitutas que serviam a marinheiros, depósitos de carvão e de cimento em pó, não longe do cais do porto” (Lispector,Clarice,1998,p.30)
Macabéa conhece Olímpico de Jesus por quem se apaixona, este era um nordestino ambicioso, que a abandona para ficar com Glória, sua colega de trabalho. Glória com remorso indica a ela uma cartomante para que lhe adivinhasse o futuro, desesperada Macabéa vai a procura de Madama Carlota que lhe prevê um futuro de grandes mudanças. Ao sair da casa da cartomante passou por um beco escuro e ao atravessar a rua foi atropelada por um Mercedes amarelo e acabou morrendo.
Durante toda a narrativa percebemos que Macabéa é tida como um produto do seu narrador, e que ele acaba se identificando com o personagem, pois é ele quem nos conta a história de como à inventou, explicando a todo momento o quanto é difícil lidar com as palavras e escrever um romance como esse no qual a sua personagem nasce, cresce, trabalha, namora, sonha e no final de tudo acaba morrendo. E é justamente essa relação que há entre narrador e personagem que nos chama mais atenção durante toda a narrativa.



Lispector, Clarice, 1925-1977 A Hora da Estrela /Clarice Lispector- Rio de Janeiro:Rocco, 1998

terça-feira, 3 de agosto de 2010

A HORA DA ESTRELA (1985, 96 min.)




Disponível em:http://www.youtube.com/watch?v=2FGU1ZxGb0U Acesso em:03 de agosto ás 22:10

sábado, 31 de julho de 2010

A informatividade do texto

A informatividade é uma propriedade que diz respeito ao grau de novidade, de imprevisibilidade que a compreensão de um texto comporta. Assim, quanto mais imprevisível for um texto, maior será seu grau de informatividade. Do contrário, ou seja, quanto mais previsível o for, menor será o grau de informatividade do texto.
Observemos o texto: O oceano é água.
No mesmo, temos um texto com um baixo nível de informatividade, visto que a partir do nosso conhecimento de mundo, já sabemos que o oceano é composto por agua; isso é bem previsível.
Um outro exemplo de texto é: A água não é Oxigênio e Hidrogênio. Ela também é composta de outros gases.
Neste, temos um texto com um grau de inforamatividade mais elevado, já que não é tão previsível a a informação a ser dada.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Texto e intertextualidade

Na aula de linguística do dia 28/07 foi trabalhado um pouco sobre "Texto e intertextualidade" na qual vimos que a intertextualidade ocorre quando, um texto, está inserido em outro texto (intertexto) anteriormente produzido, que faz parte da memória social de uma coletividade. A intertextualidade é elemento constituinte e constitutivo do processo escrita/leitura e compreende as diversas maneiras pelas quais a produção/recepção de um dado texto depende de conhecimentos de outros textos por parte dos interlocutores, ou seja, dos diversos tipos de relações que um texto mantém com outros textos. Além disso vimos tabém que a intertextualidade pode ocorrer de duas formas: explicita e implícita. A intertextualidade explícita ocorre quando há citações de fonte do intertexto, como nos discursos relatados, nos resumos, resenhas e traduções; nas retomadas de textos de parceiro para encadear sobre ele ou questioná-lo na conversação (cf. KOCH, 1997 a e b, 2004). A intertextualidade implícita ocorre sem citação expressa da fonte, cabendo ao interlocutor recuperá-la na memória para constituir o sentido do texto, como nas alusões, na paródia, e em certos tipos de paráfrases e ironias (cf. KOCH, 1997 a e b, 2004). No caso exige do interlocutor uma busca na memória para a identificação do intertexto e dos objetivos do produtor do texto ao inserir no discurso. Quando isso não ocorre, grande parte ou mesmo toda a construção do sentido fica prejudicada. A intertextualidade é "um fenômeno constitutivo da produção do sentido e pode-se dar entre textos expressos por diferentes linguagens” (Silva,2002),ou seja, toda vez que uma obra fizer alusão à outra ocorre a intertextualidade.

KOCH, I. V; ELIAS, V. M. Ler e compreender: os sentidos do texto. 2 a ed. 2 reimpressão. São Paulo: Contexto, 2008.

DisponívelemAcesso em:30 de jul de 2010 às 22h18min

Os gêneros textuais

Na aula de linguística no dia 23 de julho foi trabalhado em sala um pouco sobre os gêneros textuais: que são tipos específicos de textos de qualquer natureza, literários ou não, que possuem modalidades discursivas constituídas de estruturas e de funções sociais (narrativas, discursivas, argumentativas); utilizadas como formas de organizar a linguagem. No decorrer do trabalho foi aparesentado também alguns tipos de gêneros textuais como: convites, cartas, atas, anúncios entre outros.
Os gêneros textuais são práticas sociocomunicativas constituídas de um determinado modo, com uma certa função, em dada situação de comunicação; o que nos permite reconhecê-los e produzi-los, sempre que necessário;
Afirmar que os gêneros são produzidos de determinada forma não implica dizer que não sofrem variações ou que elegemos a forma como o aspecto definidor do gênero textual em detrimento de sua função. Gêneros textuais e intergenericidade foi também um dos temas descutidos no decorrer da aula no qual vimos que hibridização ou a intertextualidade intergêneros: É o fenômeno segundo o qual um gênero pode assumir a forma de um outro gênero, tendo em vista o propósito de comunicação. A intergenericidade tornou-se um recurso bastante utilizado pelos produtores de textos, pois é uma estratégia de tornar o texto mais atraente e fornecer uma abordagem diferenciada e realçada para atender seu propósito comunicacional. É importante analisar que na intergenericidade os textos se relacionam de forma hierárquica, quer dizer, um está só para servir de apoio ao outro, ele existe mas não está exercendo sua função, está a serviço daquele que o autor escolheu para apresentar seu propósito comunicativo. Portanto para definir um gênero onde acontece hibridização não levaremos em consideração sua forma, mas sim o seu propósito comunicacional ou função. "Os gêneros não se definem por sua forma, mas por sua função (...) é representativo de que um gênero pode assumir a forma de outro e, ainda assim, continuar pertencendo àquele gênero" (Koch, 2006). Através desse estudo feito sobre os gêneros textuais vimos que eles são formados por seqüências diferentes chamadas de tipos textuais, e, não pode ser confundido a noção de gênero com a noção de tipo. E Foi a partir desse pressuposto que ADAM ( 1991) afirmou que a narrativa ou uma descrição são diferentes uma da outra e também de outras narrativas e descrições.
As seqüências descritivas são reconhecidas por descreverem um certo número de características, mais ou menos típicas e canônicas. Nota-se que os gêneros textuais podem ser constituídos por dois ou mais tipos , sendo que a presença de vários tipos textuais em um gênero é denominada de Heterogeneidade tipológica

KOCH, I. V; ELIAS, V. M. Ler e compreender: os sentidos do texto. 2ª ed. 2 reimpressão. São Paulo: Contexto, 2008.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Coerência e coesão textuais

Coerência é a ligação em conjunto dos elementos formativos de um texto; a coesão é a associação consistente desses elementos. Estas duas definições literais não contemplam todas as possibilidades de significação destas duas operações essências na construção de um texto e nem sequer dão conta dos problemas que se levantam na contaminação entre ambas. As definições apresentadas constituem apenas princípios básicos de reconhecimento das duas operações

Entre os autores que apenas se referem a um dos aspectos, sem qualquer distinção, estão Halliday e Hasan, que, em Cohesion in English (1976), defendem ser a coesão entre as frases o fator determinante de um texto enquanto tal; é a coesão que permite chegar à textura (aquilo que permite distinguir um texto de um não-texto); a coesão obtém-se em grande parte a partir da gramática e também a partir do léxico. Por outro lado, autores como Beaugrande e Dressler apresentam um ponto de vista que partilhamos: coerência e coesão são níveis distintos de análise. A coesão diz respeito ao modo como ligamos os elementos textuais numa seqüência; a coerência não é apenas uma marca textual, mas diz respeito aos conceitos e às relações semânticas que permitem a união dos elementos textuais.
A falta de coerência em um texto é facilmente deduzida por um falante de uma língua, quando não encontra sentido lógico entre as proposições de um enunciado oral ou escrito. É a competência lingüística, tomada em sentido lato, que permite a esse falante reconhecer de imediato a coerência de um discurso. A competência lingüística combina-se com a competência textual para possibilitar certas operações simples ou complexas da escrita literária ou não literária: um resumo, uma paráfrase, uma dissertação a partir de um tema dado, um comentário a um texto literário, etc.

As técnicas ou mecanismos de coesão têm por objetivo dar consistência ao texto, interligando suas partes para que tenha uma unidade de sentido, evitando a repetição de palavras.
Existem basicamente dois mecanismos de coesão textual:
Coesão léxica: é obtida através de relações de sentido entre as palavras, ou seja, do emprego de sinônimos.
Coesão gramatical: é obtida a partir do emprego de artigos, pronomes, adjetivos, advérbios, conjunções e numerais

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Um breve percurso histórico

Falemos agora sobre os três momentos que abrangeram preocupações teóricas bastante diversas no campo da lingüística de texto.
Análise transfrástica;
Na análise transfrástica: o interesse voltava-se para fenômenos que não conseguiam ser explicados pelas teorias sintáticas e/ou pelas teorias semânticas que ficassem limitadas no nível da frase; Construção de gramáticas textuais: descrição da competência textual do falante; Teoria do texto: o texto passa a ser estudado dentro de seu contexto de produção e a ser compreendido não como um produto acabado, mas como um processo.
Gramáticas textuais :
Gramáticas textuais Representaram um projeto de reconstrução do texto como um sistema uniforme, estável e abstrato. Postulava-se o texto como unidade teórica formalmente construída, em oposição ao discurso, unidade funcional, comunicativa e intersubjetivamente construída. As propostas de elaboração de gramáticas textuais de diferentes autores, tais como Lang, Dressler, Dijk e Petöfi surgiram com a finalidade de refletir sobre fenômenos linguísticos inexplicáveis por meio de uma gramática do enunciado. Esses autores consideram que: não há uma continuidade entre frase e texto porque há, entre eles, uma diferença de ordem qualitativa e não quantitativa, já que a significação de um texto constitui um todo que é diferente da soma das partes. O texto é a unidade linguística mais elevada, a partir da qual seria possível chegar, por meio da segmentação, a unidades menores a serem classificadas. Todo falante nativo possui um conhecimento acerca do que seja um texto.
:
Segundo Charolles (1989), todo falante possuiria três capacidades textuais básicas: capacidade formativa; capacidade transformativa; capacidade qualificativa Segundo Fávero & Koch (1983), se todos os usuários da língua possuem essas habilidades, que podem ser nomeadas genericamente como competência textual, poderia justificar-se, então, a elaboração de uma gramática textual. Verificação do que faz com que um texto seja um texto; Levantamento de critérios para a delimitação de textos; Diferenciação de várias espécies de textos.
Teoria do Texto Ao contrário das gramáticas textuais, preocupadas em descrever a competência textual de falantes/ouvintes idealizados, propõe-se a investigar a constituição, o funcionamento, a produção e a compreensão dos textos em uso. Tratamento dos textos no seu contexto pragmático No final da década de 70, a palavra de ordem não era mais, segundo Marcuschi (1998), a gramática de texto, mas a noção de textualidade. LT (atualmente): “uma disciplina de caráter multidisciplinar, dinâmica, funcional e processual, considerando a língua como não-autônoma nem sob seu aspecto formal” (Marcuschi, 1998)
A construção dos sentidos no texto :
A construção dos sentidos no texto Texto: resultado de uma atividade verbal, que revela determinadas operações linguísticas e cognitivas, efetuadas tanto no campo de sua produção, como no de sua recepção. Segundo Koch (1997): Coerência: “diz respeito ao modo como os elementos subjacentes à superfície textual vêm a constituir, na mente dos interlocutores, uma configuração veiculadora de sentidos” Coesão: “O fenômeno que diz respeito ao modo como os elementos linguísticos presentes na superfície textual encontram-se interligados, por meio de recursos também linguísticos, formando sequências veiculadoras de sentido”
A coerência textual :
A coerência textual A discussão sobre as relações entre texto e coerência começa a ocorrer a partir do momento em que se percebe que o(s) sentido(s) do texto não está/estão no texto em si, mas depende(m) de fatores de diversas ordens: linguísticos, cognitivos, socioculturais, interacionais. Os estudos sobre o texto centram-se na busca de “critérios de textualidade”. Para Koch e Travaglia (1989), “a textualidade ou a textura é aquilo que faz de uma sequência lingüística um texto e não um amontoado aleatório de palavras”. Existe o não-texto? Charolles (1989) afirma que não há textos incoerentes em si. Tudo vai depender muito dos usuários do texto e da situação. A partir da década de 80, Charolles defende que a coerência de um texto é um “principio de interpretabilidade”: todos os textos seriam, em princípio, aceitáveis. No entanto, admite-se que o texto será incoerente para determinada situação comunicativa.
Segundo Koch e Travaglia (1990), a situação comunicativa tanto pode ser entendida em seu sentido estrito – contexto imediato da interação-, como pode ser entendida em seu sentido mais amplo – o contexto sócio-político-cultural. O conhecimento da situação comunicativa mais ampla contribui para a focalização, que pode ser entendida como a(s) perspectiva(s) ou ponto(s) de vista pelo(s) qual(is) as entidades evocadas no texto passam a ser vistas, perspectivas estas que afetam não só aquilo que o produtor diz, mas também o que o leitor ou destinatário interpreta. A situação comunicativa pode contribuir fortemente para a construção de um ou mais de um sentido global para o texto.
O papel das inferências na compreensão global do texto: Segundo Koch & Travaglia, “quase todos os textos que lemos ou ouvimos exigem que façamos uma série de inferências para podermos compreendê-lo integralmente. Se assim não fosse, nossos textos teriam que ser excessivamente longos para poderem explicitar tudo o que queremos comunicar.” Intertextualidade: outro fator importante para a compreensão do sentido global de um texto. Intencionalidade: “refere-se ao modo como os emissores usam textos para perseguir e realizar suas intenções, produzindo, para tanto, textos adequados à obtenção dos efeitos desejados” (Koch &Travaglia, 1990) Fator informatividade: diz respeito ao grau de previsibilidade das informações que estarão presentes no texto, se essas são esperadas ou não, se são previsíveis ou não.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Conceito de texto

Texto é uma seqüência verbal ( palavra) oral ou escrita, que forma um todo que tem sentido para um determinado grupo de pessoas em uma determinada situação.
O texto é encarado como uma unidade que, apesar de teoricamente poder ser de tamanho indeterminado, em geral, delimitada, como um inicio e um final mais ou menos explícitos. O mesmo é visto como um produto acabado, como uma unidade formal a ser necessariamente circunscrita.
Segundo Koch (1997), os conceitos de texto variaram desde “unidade linguística superior à frase” até “complexo de proposições semânticas. A definição de texto deve levar em conta que: a produção textual é uma atividade verbal (atos de fala), é uma atividade verbal consciente e é uma atividade interacional.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Anotações feitas em sala de aula sobre o texto Linguística Textual de Anna Christina Bentes.

Antes de adentar na Linguística Tentual, faz-se necessário entender o que é texto. Para Orlandi (1987, p. 159), texto é uma "unidade completa de significação".
O termo "Linguística de Texto" foi empregado inicialmente por Harald Weinrich. O objetivo deste campo de estudos é ir além dos limites da frase, reintroduzindo em seu escopo teórico, o sujeito e a situação da comunicação.
É possível distinguir três momentos na história da constituição do campo da Linguística de Texto. No primeiro, análise transfrástica, o interesse volta-se para fenômenos que não conseguiam ser explicados pelas teorias sintáticas e/ou semânticas que ficassem limitadas ao nível da frase; no segundo momento, postulou-se a descrição da competência textual do falante, ou seja, a construção de gramáticas textuais; já no terceiro momento, partiu-se para elaboração de uma teoria do texto.
Na análise transfrástica o estudo parte da frase para o texto. No entanto, em algumas frases a ausência de conectores faz com que o leitor tenha que construir o sentido global da sequência. Passou-se então ao objetivo de elaborar gramáticas textuais. Neste momento, autores como Lang (1971, 1972), Dressler (1972, 1977), Dijk (1972, 1973) e Petöfi (1972, 1973, 1976); possuiam alguns postulados em comum, como o fato de considerarem que todo falante nativo possui um conhecimento acerca do que seja um texto, conhecimento este que não é redutível a uma análise frasal. Assim, todo falante, possuiria, segundo Charolles (1989), uma capacidade formativa, que lhe permite produzir e compreender textos inéditos; uma capacidade transformativa, que o torna capaz de reformular um texto qualquer; e uma capacidade qualificativa, que lhe permite dizer se um texto é uma descrição, narração, argumentação, etc. Por fim, os estudiosos começaram a elaborar uma teoria do texto que se propõe a investigar a constituição, o funcionamento, a produção e a compreensão dos textos em uso. Neste terceiro momento. ganha importância o tratamento dos textos no seu contexto pragmático

sexta-feira, 23 de abril de 2010

MOMENTO DE REFLEXÃO



HOJE MIM DEI CONTA

Hoje me dei conta de que as
pessoas vivem a esperar por algo
E quando surge uma oportunidade
Se dizem confusas e despreparadas
Sentem que não merecem
Que o tempo certo ainda não chegou
E a vida passa
E os momentos se acumulam
como papéis sobre uma mesa
Estamos nos preparando para qualquer coisa
Mas ainda não aprendemos a viver
A arriscar por aquilo que queremos
A sentir aquilo que sonhamos
E assim adiamos nossas
vidas por tempo indeterminado
Até que a vida se encarregue
de decidir por nós mesmos
E percebemos o quanto perdemos
E o tanto que poderíamos ter evitado
Como somos tolos em nossos
pensamentos limitados
Em nossas emoções contidas
Em nossas ações determinadas
O ser humano se prende em si mesmo
Por medo e desconfiança
Vive como coisa
Num mundo de coisas
O tempo esperado é o agora
Sua consciência lhe direciona
Seus sentidos lhe alertam
E suas emoções não
mais são desprezadas
Antes que tudo acabe
É preciso fazer iniciar
Mesmo com dor e sofrimento
Antes arriscar do que apenas sonhar

Autora Cecília Meireles

quinta-feira, 22 de abril de 2010

quarta-feira, 21 de abril de 2010

METADE

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que [o homem] que eu amo seja pra sempre amado
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.
(Oswaldo Montenegro)