Coerência é a ligação em conjunto dos elementos formativos de um texto; a coesão é a associação consistente desses elementos. Estas duas definições literais não contemplam todas as possibilidades de significação destas duas operações essências na construção de um texto e nem sequer dão conta dos problemas que se levantam na contaminação entre ambas. As definições apresentadas constituem apenas princípios básicos de reconhecimento das duas operações
Entre os autores que apenas se referem a um dos aspectos, sem qualquer distinção, estão Halliday e Hasan, que, em Cohesion in English (1976), defendem ser a coesão entre as frases o fator determinante de um texto enquanto tal; é a coesão que permite chegar à textura (aquilo que permite distinguir um texto de um não-texto); a coesão obtém-se em grande parte a partir da gramática e também a partir do léxico. Por outro lado, autores como Beaugrande e Dressler apresentam um ponto de vista que partilhamos: coerência e coesão são níveis distintos de análise. A coesão diz respeito ao modo como ligamos os elementos textuais numa seqüência; a coerência não é apenas uma marca textual, mas diz respeito aos conceitos e às relações semânticas que permitem a união dos elementos textuais.
A falta de coerência em um texto é facilmente deduzida por um falante de uma língua, quando não encontra sentido lógico entre as proposições de um enunciado oral ou escrito. É a competência lingüística, tomada em sentido lato, que permite a esse falante reconhecer de imediato a coerência de um discurso. A competência lingüística combina-se com a competência textual para possibilitar certas operações simples ou complexas da escrita literária ou não literária: um resumo, uma paráfrase, uma dissertação a partir de um tema dado, um comentário a um texto literário, etc.
As técnicas ou mecanismos de coesão têm por objetivo dar consistência ao texto, interligando suas partes para que tenha uma unidade de sentido, evitando a repetição de palavras.
Existem basicamente dois mecanismos de coesão textual:
Coesão léxica: é obtida através de relações de sentido entre as palavras, ou seja, do emprego de sinônimos.
Coesão gramatical: é obtida a partir do emprego de artigos, pronomes, adjetivos, advérbios, conjunções e numerais
terça-feira, 25 de maio de 2010
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Um breve percurso histórico
Falemos agora sobre os três momentos que abrangeram preocupações teóricas bastante diversas no campo da lingüística de texto.
Análise transfrástica;
Na análise transfrástica: o interesse voltava-se para fenômenos que não conseguiam ser explicados pelas teorias sintáticas e/ou pelas teorias semânticas que ficassem limitadas no nível da frase; Construção de gramáticas textuais: descrição da competência textual do falante; Teoria do texto: o texto passa a ser estudado dentro de seu contexto de produção e a ser compreendido não como um produto acabado, mas como um processo.
Gramáticas textuais :
Gramáticas textuais Representaram um projeto de reconstrução do texto como um sistema uniforme, estável e abstrato. Postulava-se o texto como unidade teórica formalmente construída, em oposição ao discurso, unidade funcional, comunicativa e intersubjetivamente construída. As propostas de elaboração de gramáticas textuais de diferentes autores, tais como Lang, Dressler, Dijk e Petöfi surgiram com a finalidade de refletir sobre fenômenos linguísticos inexplicáveis por meio de uma gramática do enunciado. Esses autores consideram que: não há uma continuidade entre frase e texto porque há, entre eles, uma diferença de ordem qualitativa e não quantitativa, já que a significação de um texto constitui um todo que é diferente da soma das partes. O texto é a unidade linguística mais elevada, a partir da qual seria possível chegar, por meio da segmentação, a unidades menores a serem classificadas. Todo falante nativo possui um conhecimento acerca do que seja um texto.
:
Segundo Charolles (1989), todo falante possuiria três capacidades textuais básicas: capacidade formativa; capacidade transformativa; capacidade qualificativa Segundo Fávero & Koch (1983), se todos os usuários da língua possuem essas habilidades, que podem ser nomeadas genericamente como competência textual, poderia justificar-se, então, a elaboração de uma gramática textual. Verificação do que faz com que um texto seja um texto; Levantamento de critérios para a delimitação de textos; Diferenciação de várias espécies de textos.
Teoria do Texto Ao contrário das gramáticas textuais, preocupadas em descrever a competência textual de falantes/ouvintes idealizados, propõe-se a investigar a constituição, o funcionamento, a produção e a compreensão dos textos em uso. Tratamento dos textos no seu contexto pragmático No final da década de 70, a palavra de ordem não era mais, segundo Marcuschi (1998), a gramática de texto, mas a noção de textualidade. LT (atualmente): “uma disciplina de caráter multidisciplinar, dinâmica, funcional e processual, considerando a língua como não-autônoma nem sob seu aspecto formal” (Marcuschi, 1998)
A construção dos sentidos no texto :
A construção dos sentidos no texto Texto: resultado de uma atividade verbal, que revela determinadas operações linguísticas e cognitivas, efetuadas tanto no campo de sua produção, como no de sua recepção. Segundo Koch (1997): Coerência: “diz respeito ao modo como os elementos subjacentes à superfície textual vêm a constituir, na mente dos interlocutores, uma configuração veiculadora de sentidos” Coesão: “O fenômeno que diz respeito ao modo como os elementos linguísticos presentes na superfície textual encontram-se interligados, por meio de recursos também linguísticos, formando sequências veiculadoras de sentido”
A coerência textual :
A coerência textual A discussão sobre as relações entre texto e coerência começa a ocorrer a partir do momento em que se percebe que o(s) sentido(s) do texto não está/estão no texto em si, mas depende(m) de fatores de diversas ordens: linguísticos, cognitivos, socioculturais, interacionais. Os estudos sobre o texto centram-se na busca de “critérios de textualidade”. Para Koch e Travaglia (1989), “a textualidade ou a textura é aquilo que faz de uma sequência lingüística um texto e não um amontoado aleatório de palavras”. Existe o não-texto? Charolles (1989) afirma que não há textos incoerentes em si. Tudo vai depender muito dos usuários do texto e da situação. A partir da década de 80, Charolles defende que a coerência de um texto é um “principio de interpretabilidade”: todos os textos seriam, em princípio, aceitáveis. No entanto, admite-se que o texto será incoerente para determinada situação comunicativa.
Segundo Koch e Travaglia (1990), a situação comunicativa tanto pode ser entendida em seu sentido estrito – contexto imediato da interação-, como pode ser entendida em seu sentido mais amplo – o contexto sócio-político-cultural. O conhecimento da situação comunicativa mais ampla contribui para a focalização, que pode ser entendida como a(s) perspectiva(s) ou ponto(s) de vista pelo(s) qual(is) as entidades evocadas no texto passam a ser vistas, perspectivas estas que afetam não só aquilo que o produtor diz, mas também o que o leitor ou destinatário interpreta. A situação comunicativa pode contribuir fortemente para a construção de um ou mais de um sentido global para o texto.
O papel das inferências na compreensão global do texto: Segundo Koch & Travaglia, “quase todos os textos que lemos ou ouvimos exigem que façamos uma série de inferências para podermos compreendê-lo integralmente. Se assim não fosse, nossos textos teriam que ser excessivamente longos para poderem explicitar tudo o que queremos comunicar.” Intertextualidade: outro fator importante para a compreensão do sentido global de um texto. Intencionalidade: “refere-se ao modo como os emissores usam textos para perseguir e realizar suas intenções, produzindo, para tanto, textos adequados à obtenção dos efeitos desejados” (Koch &Travaglia, 1990) Fator informatividade: diz respeito ao grau de previsibilidade das informações que estarão presentes no texto, se essas são esperadas ou não, se são previsíveis ou não.
Análise transfrástica;
Na análise transfrástica: o interesse voltava-se para fenômenos que não conseguiam ser explicados pelas teorias sintáticas e/ou pelas teorias semânticas que ficassem limitadas no nível da frase; Construção de gramáticas textuais: descrição da competência textual do falante; Teoria do texto: o texto passa a ser estudado dentro de seu contexto de produção e a ser compreendido não como um produto acabado, mas como um processo.
Gramáticas textuais :
Gramáticas textuais Representaram um projeto de reconstrução do texto como um sistema uniforme, estável e abstrato. Postulava-se o texto como unidade teórica formalmente construída, em oposição ao discurso, unidade funcional, comunicativa e intersubjetivamente construída. As propostas de elaboração de gramáticas textuais de diferentes autores, tais como Lang, Dressler, Dijk e Petöfi surgiram com a finalidade de refletir sobre fenômenos linguísticos inexplicáveis por meio de uma gramática do enunciado. Esses autores consideram que: não há uma continuidade entre frase e texto porque há, entre eles, uma diferença de ordem qualitativa e não quantitativa, já que a significação de um texto constitui um todo que é diferente da soma das partes. O texto é a unidade linguística mais elevada, a partir da qual seria possível chegar, por meio da segmentação, a unidades menores a serem classificadas. Todo falante nativo possui um conhecimento acerca do que seja um texto.
:
Segundo Charolles (1989), todo falante possuiria três capacidades textuais básicas: capacidade formativa; capacidade transformativa; capacidade qualificativa Segundo Fávero & Koch (1983), se todos os usuários da língua possuem essas habilidades, que podem ser nomeadas genericamente como competência textual, poderia justificar-se, então, a elaboração de uma gramática textual. Verificação do que faz com que um texto seja um texto; Levantamento de critérios para a delimitação de textos; Diferenciação de várias espécies de textos.
Teoria do Texto Ao contrário das gramáticas textuais, preocupadas em descrever a competência textual de falantes/ouvintes idealizados, propõe-se a investigar a constituição, o funcionamento, a produção e a compreensão dos textos em uso. Tratamento dos textos no seu contexto pragmático No final da década de 70, a palavra de ordem não era mais, segundo Marcuschi (1998), a gramática de texto, mas a noção de textualidade. LT (atualmente): “uma disciplina de caráter multidisciplinar, dinâmica, funcional e processual, considerando a língua como não-autônoma nem sob seu aspecto formal” (Marcuschi, 1998)
A construção dos sentidos no texto :
A construção dos sentidos no texto Texto: resultado de uma atividade verbal, que revela determinadas operações linguísticas e cognitivas, efetuadas tanto no campo de sua produção, como no de sua recepção. Segundo Koch (1997): Coerência: “diz respeito ao modo como os elementos subjacentes à superfície textual vêm a constituir, na mente dos interlocutores, uma configuração veiculadora de sentidos” Coesão: “O fenômeno que diz respeito ao modo como os elementos linguísticos presentes na superfície textual encontram-se interligados, por meio de recursos também linguísticos, formando sequências veiculadoras de sentido”
A coerência textual :
A coerência textual A discussão sobre as relações entre texto e coerência começa a ocorrer a partir do momento em que se percebe que o(s) sentido(s) do texto não está/estão no texto em si, mas depende(m) de fatores de diversas ordens: linguísticos, cognitivos, socioculturais, interacionais. Os estudos sobre o texto centram-se na busca de “critérios de textualidade”. Para Koch e Travaglia (1989), “a textualidade ou a textura é aquilo que faz de uma sequência lingüística um texto e não um amontoado aleatório de palavras”. Existe o não-texto? Charolles (1989) afirma que não há textos incoerentes em si. Tudo vai depender muito dos usuários do texto e da situação. A partir da década de 80, Charolles defende que a coerência de um texto é um “principio de interpretabilidade”: todos os textos seriam, em princípio, aceitáveis. No entanto, admite-se que o texto será incoerente para determinada situação comunicativa.
Segundo Koch e Travaglia (1990), a situação comunicativa tanto pode ser entendida em seu sentido estrito – contexto imediato da interação-, como pode ser entendida em seu sentido mais amplo – o contexto sócio-político-cultural. O conhecimento da situação comunicativa mais ampla contribui para a focalização, que pode ser entendida como a(s) perspectiva(s) ou ponto(s) de vista pelo(s) qual(is) as entidades evocadas no texto passam a ser vistas, perspectivas estas que afetam não só aquilo que o produtor diz, mas também o que o leitor ou destinatário interpreta. A situação comunicativa pode contribuir fortemente para a construção de um ou mais de um sentido global para o texto.
O papel das inferências na compreensão global do texto: Segundo Koch & Travaglia, “quase todos os textos que lemos ou ouvimos exigem que façamos uma série de inferências para podermos compreendê-lo integralmente. Se assim não fosse, nossos textos teriam que ser excessivamente longos para poderem explicitar tudo o que queremos comunicar.” Intertextualidade: outro fator importante para a compreensão do sentido global de um texto. Intencionalidade: “refere-se ao modo como os emissores usam textos para perseguir e realizar suas intenções, produzindo, para tanto, textos adequados à obtenção dos efeitos desejados” (Koch &Travaglia, 1990) Fator informatividade: diz respeito ao grau de previsibilidade das informações que estarão presentes no texto, se essas são esperadas ou não, se são previsíveis ou não.
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Conceito de texto
Texto é uma seqüência verbal ( palavra) oral ou escrita, que forma um todo que tem sentido para um determinado grupo de pessoas em uma determinada situação.
O texto é encarado como uma unidade que, apesar de teoricamente poder ser de tamanho indeterminado, em geral, delimitada, como um inicio e um final mais ou menos explícitos. O mesmo é visto como um produto acabado, como uma unidade formal a ser necessariamente circunscrita.
Segundo Koch (1997), os conceitos de texto variaram desde “unidade linguística superior à frase” até “complexo de proposições semânticas. A definição de texto deve levar em conta que: a produção textual é uma atividade verbal (atos de fala), é uma atividade verbal consciente e é uma atividade interacional.
O texto é encarado como uma unidade que, apesar de teoricamente poder ser de tamanho indeterminado, em geral, delimitada, como um inicio e um final mais ou menos explícitos. O mesmo é visto como um produto acabado, como uma unidade formal a ser necessariamente circunscrita.
Segundo Koch (1997), os conceitos de texto variaram desde “unidade linguística superior à frase” até “complexo de proposições semânticas. A definição de texto deve levar em conta que: a produção textual é uma atividade verbal (atos de fala), é uma atividade verbal consciente e é uma atividade interacional.
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Anotações feitas em sala de aula sobre o texto Linguística Textual de Anna Christina Bentes.
Antes de adentar na Linguística Tentual, faz-se necessário entender o que é texto. Para Orlandi (1987, p. 159), texto é uma "unidade completa de significação".
O termo "Linguística de Texto" foi empregado inicialmente por Harald Weinrich. O objetivo deste campo de estudos é ir além dos limites da frase, reintroduzindo em seu escopo teórico, o sujeito e a situação da comunicação.
É possível distinguir três momentos na história da constituição do campo da Linguística de Texto. No primeiro, análise transfrástica, o interesse volta-se para fenômenos que não conseguiam ser explicados pelas teorias sintáticas e/ou semânticas que ficassem limitadas ao nível da frase; no segundo momento, postulou-se a descrição da competência textual do falante, ou seja, a construção de gramáticas textuais; já no terceiro momento, partiu-se para elaboração de uma teoria do texto.
Na análise transfrástica o estudo parte da frase para o texto. No entanto, em algumas frases a ausência de conectores faz com que o leitor tenha que construir o sentido global da sequência. Passou-se então ao objetivo de elaborar gramáticas textuais. Neste momento, autores como Lang (1971, 1972), Dressler (1972, 1977), Dijk (1972, 1973) e Petöfi (1972, 1973, 1976); possuiam alguns postulados em comum, como o fato de considerarem que todo falante nativo possui um conhecimento acerca do que seja um texto, conhecimento este que não é redutível a uma análise frasal. Assim, todo falante, possuiria, segundo Charolles (1989), uma capacidade formativa, que lhe permite produzir e compreender textos inéditos; uma capacidade transformativa, que o torna capaz de reformular um texto qualquer; e uma capacidade qualificativa, que lhe permite dizer se um texto é uma descrição, narração, argumentação, etc. Por fim, os estudiosos começaram a elaborar uma teoria do texto que se propõe a investigar a constituição, o funcionamento, a produção e a compreensão dos textos em uso. Neste terceiro momento. ganha importância o tratamento dos textos no seu contexto pragmático
O termo "Linguística de Texto" foi empregado inicialmente por Harald Weinrich. O objetivo deste campo de estudos é ir além dos limites da frase, reintroduzindo em seu escopo teórico, o sujeito e a situação da comunicação.
É possível distinguir três momentos na história da constituição do campo da Linguística de Texto. No primeiro, análise transfrástica, o interesse volta-se para fenômenos que não conseguiam ser explicados pelas teorias sintáticas e/ou semânticas que ficassem limitadas ao nível da frase; no segundo momento, postulou-se a descrição da competência textual do falante, ou seja, a construção de gramáticas textuais; já no terceiro momento, partiu-se para elaboração de uma teoria do texto.
Na análise transfrástica o estudo parte da frase para o texto. No entanto, em algumas frases a ausência de conectores faz com que o leitor tenha que construir o sentido global da sequência. Passou-se então ao objetivo de elaborar gramáticas textuais. Neste momento, autores como Lang (1971, 1972), Dressler (1972, 1977), Dijk (1972, 1973) e Petöfi (1972, 1973, 1976); possuiam alguns postulados em comum, como o fato de considerarem que todo falante nativo possui um conhecimento acerca do que seja um texto, conhecimento este que não é redutível a uma análise frasal. Assim, todo falante, possuiria, segundo Charolles (1989), uma capacidade formativa, que lhe permite produzir e compreender textos inéditos; uma capacidade transformativa, que o torna capaz de reformular um texto qualquer; e uma capacidade qualificativa, que lhe permite dizer se um texto é uma descrição, narração, argumentação, etc. Por fim, os estudiosos começaram a elaborar uma teoria do texto que se propõe a investigar a constituição, o funcionamento, a produção e a compreensão dos textos em uso. Neste terceiro momento. ganha importância o tratamento dos textos no seu contexto pragmático
Assinar:
Comentários (Atom)

